segunda-feira, 31 de agosto de 2020

O ENGRAXADOR | "DAR GRAXA"





O ENGRAXADOR | "DAR GRAXA"


Velha profissão, que com o passar dos tempos finou, era uma arte bem sucedida, pois, todo o senhor fazia questão de passar pela  banqueta do engraxador, em plena avenida faziam um brilharete.
Arte que dava valor ao calçado e à personalidade do individuo, o aspecto do sapato era meio caminho andado para uma boa postura na vida.
Os rapazitos, que engraxavam, é que coitados passavam o dia curvados, de cabeça para baixo e  ganhavam uns tostões furados e muitos até andavam descalços, coisas dos velhos tempos! Também as há agora, mas, já há poucos a trabalhar na profissão e os que há são chamados de sapateiros, que também são engraxadores, mas, as condições são outras (lojas), o negócio é mais rentável, para além de fazerem concertos no calçado vendem produtos de manutenção para o mesmo.
Os engraxadores de rua deixaram memórias dos velhos tempos, que nos caiem bem à vista, as ruas estavam apinhadas de gente bem disposta. Eram aos três ou mais em cada rua da baixa lisboeta, naquela altura os senhores andavam de fato e gravata e o sapato era peça fundamental para uma boa impressão e quem vivia mais-ou-menos também ali parava, pois, também queriam fazer boa figura!
De pano no joelho, graxa nas mãos e escova aperaltada para puxar o brilho aos sapatos do freguês, estes artífices ganhavam a vida dia-a-dia,  às vezes até tiravam uma boa gorjeta. 
E o engraxador da fama de "graxista" não se livrava, poliam os sapatos e o senhores ficavam com o ego em grande, por isso se chama de bajulador a alguém que dá graxa, ou seja, sempre que se elogia alguém lá vem o velho pensamento "dar graxa". E é o que nos resta dos inúmeros engraxadores que havia, memórias muito vivas e fotos daquela época (séc. XIX), pois, a moda do calçado foi bastante alterada, adaptando-se a novas realidades, sendo que o sapato desportivo é muito mais prático, tornou-se comum, não requerem graxa, muitos até são laváveis na máquina de lavar roupa, o que veio a tornar cada vez mais esta profissão um biscate de muito pouca monta.
Ainda subsiste a critica à sociedade na expressão "engraxar", embora hoje em dia não se pratique muito. Os tempos mudaram e com eles mudaram as vontades! Os contemporâneos fazem mais criticas do que elogios e quando fazem elogios lá está, está-se mesmo a ver, estão a "dar graxa", esta expressão está ainda muito presente e sem duvida que faz sentido, pois, muitos dizem bem ou fazem algo com a intenção de receber algo em troca, ora se isso não é "dar graxa" é o quê? Poucos são os que têm o sentido apurado para um brilho natural e sabem dar o valor ao que é devido! 
Contudo, dar graxa aos sapatos é algo que devia de ser tão natural como nos velhos tempos e o elogio devia de ser estimado como bem essencial (quando sincero) para proliferar as relações interpessoais.

© Ró Mar | 2020/08/31

domingo, 30 de agosto de 2020

O SETEMBRO ESTÁ NO AR!




O SETEMBRO ESTÁ NO AR!


O setembro está no ar
E é bem-vindo ao planeta
Para a natura refrescar
E dar cor à rua cinzenta!

O setembro está no ar
E é o tempo da mudança
De estação e de pensar
Que há ventos de esperança!

O setembro está no ar
Pelas mãos duma criança,
No sonho de respirar
Há sílabas de bonança!

O setembro está no ar
E o equinócio de outono,
Que havemos de vindimar
Pra ter uva todo o ano!

O setembro está no ar,
Na montanha de emoções
Há frutos para recriar
E cultivar corações!

O setembro está no ar,
Folhas secas pra varrer,
O mundo para abraçar,
Pois, a vida é pra viver!

A estação quer começar
No seu ritmo habitual,
O setembro está no ar
Pra ser época normal!

Nas palavras deste mote
Há poesia para passear
E vontade que o suporte,
O setembro está no ar!

A poesia, que há nas árvores,
Folha-a-folha libertar
Galhos pra que nasçam flores,
O setembro está no ar!

Gente de todas as idades
O setembro está no ar
Para colmatar saudades,
Há vida vamos cantar!

Esperança é nosso lema,
Pois, queremos continuar
A fazer da vida poema,
O setembro está no ar!

© Ró Mar | 2020

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

A CAMINHAR PARA O INVERNO




A CAMINHAR PARA O INVERNO


Ainda há pouco passei pelo inverno
E não sinto saudade dele!

Ainda há pouco pensei na primavera
E nada a recordar dela!

Ainda há pouco foi verão
E não vi nenhuma caravela!

Agora, que é outono,
Sinto saudades do de outrora
E está mais do que na hora
De sonhar e viver o que não vivi no ano!

Agora, que é outono, não sei se posso pensar...!
Neste final de ano, a caminhar para o inverno,
Não sei se é tempo dele!?

Talvez possa ainda vê-lo partir,
A tempestade há-de passar, 
Pois, ao mar quero voltar!

E a caminhar para o inverno
Esperançado de viver outra estação,
Que poderá ser primavera ou verão
Nos dias ensolarados do ano!

Ou outono, tal outrora,
Que me tinha feliz na hora!

A caminhar para o inverno,
Numa longa espera!

© Ró Mar | 2020

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

A CULTIVAR O VERÃO...


A CULTIVAR O VERÃO...


Quando o verão é sequioso,
Desprovido d' essência,
Há nevoeiro fogoso,
Perpétua carência...

Ecoa vento ruidoso
E qualquer paciência
É sorte dalgum curioso
D' enorme inteligência!

Num abrir e fechar d' olhos
Lubrificar a estação...
Arco-íris de repolhos

A cultivar o verão...
Sonhar alecrim a molhos
Na varanda do coração!

© Ró Mar | 2020

terça-feira, 25 de agosto de 2020

BALADA DE SONHO


Imagem: Les douceurs de CHLOE 


BALADA DE SONHO


Este planeta terra almeja respirar
 Ar puro, livremente e nós, humanidade,
Também! É imperioso reaprender a amar
A natureza e os seres vivos de verdade;

Fazer girar o mundo em torno dum amor 
Plural, com sentido e responsabilidade; 
Dar à vida essência de elo multicolor,
Reerguer a mátria, com sustentabilidade;

Cultivar e fertilizar laços de união,
Fomentar atitude de paz em todo o universo
E criar raízes de combate à solidão.

Ah, passear livremente é mui mais do que verso!
Respirar e sentir pulsar o coração
É balada de sonho onde há vida no berço.

© Ró Mar | 2020